Um espaço para amantes da sétima arte que procuram por críticas exatas e profissionais, não se restringindo apenas a blockbusters

Sexta-feira, Julho 24, 2009

O Retorno do Mestre (agora autorizado)


Uma boa notícia para os fãs do cinema asiático (especificamente, os que idolatram os filmes de kung fu): os irmãos do falecido mestre das artes marciais Bruce Lee, Phoebe e Robert Lee, assinaram na última segunda (20/07) um acordo com a companhia J. A Media, com sede em Pequim, autorizando uma cinebiografia sobre o lendário lutador, morto em conseqüência de um edema pulmonar, aos 32 anos.

Tudo o que se sabe até o presente momento sobre a produção é que o filme será produzido em três partes, enaltecendo a personalidade do ator em sua vida adulta, o que não significa necessariamente que a película não retratará as lutas e desventuras do artista. Ainda não há nenhum ator ligado ao projeto para interpretar o papel de Bruce Lee na tela.

Segundo Robert Lee, a ideia surgiu como uma necessidade de se fazer um relato fidedigno sobre a vida do artista. “Nós lemos muitos livros e vemos muitos filmes sobre Bruce Lee, mas há muitas incorreções neles. Eles inventam coisas”, afirmou Robert em recente entrevista.

Uma chance imperdível para as antigas e futuras gerações conhecerem o legado desse que foi, sem sombra de dúvidas, o maior nome das artes marciais no mundo. A última produção feita sobre a vida de Lee foi Dragão: A História de Bruce Lee, dirigido por Rob Cohen (de Velozes e Furiosos e Triplo x) em 1993.

Terça-feira, Julho 21, 2009

Mais Além da Imaginação?



Eu era garoto quando me falaram sobre a série Além da Imaginação (The Twilight Zone) pela primeira vez. Corri atrás que nem um louco – eram ainda os tempos do VHS, aquela definição triste que você tinha de ajustar o tracking toda vez que a imagem não se fixava – atrás das fitas com os episódios da série produzida no final dos anos 50. O máximo que encontrei foi o longa-metragem de 1983 produzido pelo Steven Spielberg (provavelmente, o que me salvou de uma total decepção naquela época!).

Pois agora, para deleite (ou não, para isso teremos de acompanhar de perto o desenrolar do projeto) dessa geração que, como eu, não teve acesso a nostálgica série, a Appian Way, produtora do astro Leonardo DiCaprio, em parceria com a Warner Brothers, pretender lançar uma nova adaptação do seriado. Já tem até roteirista contratado: trata-se de Rand Ravich, autor da produção Enigma do Espaço (The Astronaut’s Wife), de 1999, com Johnny Depp e Charlize Theron no elenco.

Por enquanto, não há informações sobre o diretor do projeto e nem sobre a participação de Dicaprio como protagonista do filme. O que existe de concreto é um grande saudosismo por parte dos fãs de ficção-científica e admiradores da antiga série. Aguardemos o resultado dessa empreitada.

Segunda-feira, Julho 20, 2009

Próxima Parada: Pancho Villa



Que Johnny Depp é o camaleão hollywoodiano todo o público já sabe de cor e salteado. Sua galeria de tipos mórbidos como Edward Mãos-de-tesoura, Ed Wood, Hunther S. Thompson, Benjamim Barker, entre tantos outros criados ao longo de uma carreira de sucessos que em nada beira o convencional, é notória. Para alimentar ainda mais a fama de inovador e alavancar ainda mais seu desempenho como um dos atores mais bem sucedidos do momento, a próxima façanha de Depp será viver o revolucionário Pancho Villa nas telas.

Sua participação na película, que será dirigida pelo cineasta Emir Kusturica – com quem Depp trabalhou em Arizona Dream: Um Sonho Americano, em 1993 – foi acertada na última sexta-feira, 17, pelo Jornal Sérvio Blic. O longa conta também com a participação confirmada da atriz Salma Hayek, com quem Depp trabalhou em Era uma vez no México, do diretor Robert Rodriguez.

Sendo Depp um fabuloso construtor de personagens que fogem do senso comum, pode-se esperar mais uma grande interpretação. As filmagens começam somente em 2010, no México e na Sérvia.

Quarta-feira, Julho 15, 2009

Mundo Livre, de Ken Loach



Mundo Livre (It’s a Free World), de Ken Loach, 2007, 96 Min: ****.


Não adianta pôr panos quentes ou inventar desculpas: o mundo capitalista é cruel mesmo. Ele engana, dissimula, finge, trapaceia, faz com que percamos tempo, saúde, vigor, não admite falhas muito menos segundas chances. Ele simplesmente impõe. Ou você se adequa a ele ou está fora e dependendo da empresa ou ramo de atuação pra onde trabalhe pode ficar na geladeira por um bom tempo. E ponto. Aqui, em Mundo Livre, o cineasta Ken Loach (de produções importantes como Terra e Liberdade, Pão e Rosas e do vencedor da Palma de Ouro em Cannes Ventos da Liberdade) leva essa realidade destruidora a um nível de extensão poucas vezes visto na história do cinema.

O centro das atenções é Angie (Kierston Wareing), funcionária de uma agência de empregos, demitida por não seguir os esquemas sórdidos pertencentes a esse mercado de trabalho onde qualquer classificação que o distinga (seja mulher, negro, homossexual ou tantos outros estereótipos) é suficiente para rotulá-lo como escravo ou objeto de manipulação e assédio. Revoltada, decide montar sua própria agência, em sociedade com a melhor amiga Rose (Juliet Ellis). No entanto, adentrar esse meio profissional exige, muito mais do que trabalho, senso de discernimento e escolhas arriscadas para se manter transitável por tempo indeterminado.

À medida que a empresa recém-construída começa a sentir a necessidade de contratar imigrantes ilegais para manter as finanças de pé e alguns contratantes pecam por não honrarem seus compromissos, a vida de Angie assume um turbilhão de incertezas pondo-a em xeque quanto à posição de permanecer ética ou simplesmente manter-se ganhando dinheiro. É nesse momento em que ela percebe que se tornou como aqueles que a demitiram. Contudo, não dá mais para voltar atrás. Ela está no meio do fogo cruzado e a única atitude sensata a ser tomada é se proteger.

Existe uma carga dramática e uma sucessão de fatos em Mundo Livre que faz com que eu me lembre do sublime O Corte, de Costa-Gavras. A velha questão “Até onde o ser humanos é capaz de ir para realizar os seus intentos?” está lá, presente de forma afiada, sem rodeios ou moralismos insossos. Ken Loach segue uma mentalidade ostensiva muito similar a do documentarista Michael Moore, porém sem ser tão panfletário ou descarado. É um filme sujo, atroz, ardiloso, mas contado de uma maneira tão clean, tão transparente que você não se sente um forasteiro quando se depara com todas aquelas artimanhas típicas do mercado empresarial.

De forma direta, Mundo Livre não é uma produção cinematográfica para todos os públicos. Sonhadores e idealistas certamente se desiludirão com as canalhices e corrupções costumeiras desse metiê, que não titubeia nem vacila diante do objetivo de crescimento. Não existe lugar para conceitos como família, solidariedade, amizade e respeito. O que importa aqui é o lucro. Rápido, fácil e contínuo. O mais (para eles, segundo a visão do diretor) é pura literatura para entreter as massas.

Domingo, Junho 07, 2009

Hora de se Reinventar




Chega um momento em que somente as ideias no papel (ou na tela) não são suficientes para manter o autor quieto, estável, no seu canto. após muitas brigas com este provedor de blogs, este humilde servos dos textos cinematográficos decide - em bom tempo - que é hora de se reinventar, de mudar, de transgredir, de dar um basta ao passado. por esse motivo ele muda o Claquete de casa por entender que será melhor para os fãs tanto da sétima arte quanto deste espaço cinematográfico, onde a proposta além de entreter é a de difundir questionamentos.

Para aqueles que desejam mais Claquete, o set agora é outro. Visite:

http://www.cinematotal.com/cineasta

Foto: Na Natureza Selvagem, de Sean Penn


Quarta-feira, Fevereiro 04, 2009

Lobo, de Miguel Courtois



Lobo (El Lobo, de Miguel Courtois, 2004, DVD, 123 Min.): ***1/2.


O terrorismo é sempre um tema intrigante, independente da maneira como temos acesso a ele. Sempre fico entre aflito e assoberbado, tentando entender o que move as pessoas de uma forma geral a se interessarem por tanta violência, perseguição, traições e jogo de poder. Por que o vilão é sempre admirado e seus crimes constantemente catapultados a categoria de genialidade? E, principalmente, por que questões como ética e respeito sempre são relegadas a segundo plano quando o que está em evidência é a marginalidade? Na belíssima produção Lobo, de Miguel Courtois, é louvável o trabalho do cineasta em destrinchar a caçada a uma organização criminosa, sem com isso glamourizar os fatos (sem cair, de certa maneira, na velha máxima do Tropicalismo de Gil e Caetano “seja marginal, seja herói”).

O filme acompanha a saga de José Maria Loygorri “Txema” (Eduardo Noriega, excelente) na pele do agente infiltrado pela polícia dentro do movimento E.T.A em prol da luta basca. Entre negociações, reuniões, planejamentos de ataque e envolvimentos amorosos, Txema vislumbra de forma ácida um mundo recheado de intrigas, disputas de ego, e uma inabalável vontade de fazer justiça com as próprias mãos a qualquer custo. No caso, essa escolha difícil custa a ele muito mais do que a própria liberdade, e sim a perda do convívio com sua esposa e filho além do respeito dos amigos de lutas passadas.

Vale uma (uma é pouco, várias) espiadas na edição competente de Guillermo S. Maldonado, na trilha sonora muito bem arquitetada de Francesc Gener e na fotografia ríspida de Nestor Calvo, pontos máximos da película. Toda a narrativa proposta no roteiro de Antonio Onetti vai crescendo gradativamente, enredando o espectador num ardil onde a cada momento que se passa um novo peão é colocado em meio ao jogo de gato e rato, não somente confundindo os desenlaces de cada seqüência como também chamando a atenção para informações as quais anteriormente o público não havia dado a devida atenção.

De uma forma geral, Lobo – seguindo a vertente de produções como Os Infiltrados, de Martin Scorcese, e Senhores do Crime, de David Cronenberg (ambas películas que trabalham muito bem a questão do espião encarcerado dentro de uma corporação criminosa) – é mais do que um mero entretenimento de ação e correria. É um ensaio profundo sobre o preço a se pagar pelo direito a ser livre. A partir dos passos proferidos por Txema, nos damos conta de quanto ser independente é complicado e, por vezes, transformado numa atitude amoral pela própria sociedade conservadora em que estamos inseridos. Um filme que, se não chega a ser espetacular, ganha a platéia por sua coragem e determinação em não temer a verdade dos fatos.



Quinta-feira, Janeiro 15, 2009

Diário de um Adolescente, de Scott Kalvert



Diário de um Adolescente (The Basketball Diaries, de Scott Kalvert, 1995, AXN, 101 Min): ****.


Quando tive acesso pela primeira vez a obra antológica de Sigmund Freud O Mal-estar na Civilização, a primeira idéia que me veio à cabeça – transportando todos aqueles conceitos e idéias para o cotidiano da contemporaneidade – foi a do universo destruidor das drogas e o quanto ela é capaz, com tão poucos recursos e em tão pouco tempo, desestabilizar um ser humano. Com o passar dos anos a sétima arte abrigou o tema em suas produções, muitas vezes de forma equivocada, caricatural, por certo até exagerada, em outros com uma maestria descomunal (casos esses que exemplifico através de películas como Drugstore Cowboy, de Gus Van Sant e o inesquecível Christiane F., 13 anos, drogada e prostituída...). Contudo, sempre me perguntei quando essa temática nos apresentaria a um ator centrado, sem firulas, que pudesse nos comover na medida certa, sem precisar recorrer a clichês em demasias ou a faces e bocas desnecessárias. Pois bem: se depender disso, o cineasta Scott Kalvert pode se considerar um exibidor consagrado pela façanha realizada há treze anos, quando filmou esse profundo e muito bem realizado Diário de um Adolescente.

Década de 70: o jovem e inconstante Jim Carroll (Leonardo Dicaprio em uma de suas interpretações mais febris e corajosas de toda a carreira) é o típico garoto problema. Ou, para quem prefere definições mais populares, ele é o bad boy, o transviado – esse termo é antigo, aprendi com os meus pais -, o rei do pedaço. Aquele ao qual sistema ou autoridade nenhuma põe freio nem consegue conter nem com camisa de força. Anda pelas ruas com sua galera, zoando, fazendo bagunça pelas vias públicas e drogando-se em qualquer esquina, entre uma partida de basquete e outra e, principalmente, parando nos intervalos para escrever em seu diário narrativas complexas que mostram por um lado a imaturidade do jovem que acredita ser capaz de tudo, estar acima de qualquer lei, e por outro descrições poéticas e enaltecedoras de um mundo aprisionado por um corpo em rebeldia constante. Quando a vida que escolhe para si torna-se mais do que um vício, uma maldição (fazendo com que abandone os estudos, a família e tudo de mais importante que existia até então), ele vai percebendo que não só aquela existência é um beco sem saída como, pior do que isso se dá conta de que somente com seu intelecto e força de vontade não conseguirá vencer essa batalha.

A trilha sonora majestosa criada por Graeme Revell pontua bem as aflições e desajustes desse “homem” preso a um corpo infantil, conduzindo a um manancial de decepções que vai aumentando passo a passo num crescendo de destruição arrebatadora. O Roteiro de Bryan Goluboff, baseado no diário pessoal do próprio Jim, também é outro ponto chave da produção, por mostrar as ligações de amizade, respeito mútuo e lealdade entre os membros da gangue de jovens, mesmo num ambiente onde deveria reinar a desconfiança e os atos mais traiçoeiros possíveis. Talvez o que tenha faltado a Diário de um Adolescente tenha sido uma direção de fotografia inquietante, aprisionadora, opressiva, como se vê em filmes como Brilho Eterno de uma Mente sem lembranças, Ensaio sobre a Cegueira e O Escafandro e a Borboleta (ou seja, um realizador de imagens combinadas à iluminação que fosse capaz de incomodar com seqüências visuais opacas os olhares dos espectadores, perplexos diante de tamanha desesperança e tristeza).

Contudo, mesmo na ausência de imagens vibrantes, surreais, Diário se sai bem ao apresentar uma pequena parcela (pequena, mas poderosa) de uma geração de desajustados, numa época em que até mesmo as drogas não tinham o contexto degradante tão escancarado como tem hoje. Faz-se aqui um filme de transição para a atual geração de viciados em entorpecentes que temos hoje. Começamos a perceber a partir das jornadas de Jim Carroll, Pedro (James Madio), Neutron (Patrick McGaw) e Mickey (um Mark Wahlberg ainda revelação, mas que já mostrava as características marcantes do grande ator que se tornaria ao longo dos anos) os estereótipos que se tornariam moda nesse meio. E mais do que isso: o quanto o problema dos entorpecentes na humanidade é muito mais do que um problema social. Ele é um problema mental, psicológico e, acima de tudo, íntimo.